Ernesto Vianna

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07/06/2009

Polo do jornalismo


Ainda repercute visita feita pelo Sindicato RJ a Cabo Frio onde os dirigentes sindicais Ruth Ferreira, Telma Flora, Ernesto Vianna, Fernando Paulino e Ernesto Guadelupe mantiveram contato com os jornalistas da Inter TV. Após a reunião, sindicalistas e jornalistas da emissora confraternizaram no Boulevart Canal (foto).

Cabo Frio, além de ser o polo da Região dos Lagos, torna-se importante centro do jornalismo fluminense, por causa da existência de veículos de comunicação expressivos. Além disso, encontra-se em funcionamento na cidade o curso de Comunicação Social da Universidade Veiga de Almeida (UVA), que em breve formará sua primeira turma de jornalistas.

O Sindicato RJ programou para o segundo semestre de 2010, em Cabo Frio, o seu II Congresso Estadual. Preparativos já começaram, tendo em vista reunir na cidade grande número de profissionais da Imprensa de todo o país.

04/06/2009

ABI terá debate sobre Mídia e Violência

O debate será na sede da ABI, na rua Araújo Porto Alegre 71, 9º andar, com entrada franca

No dia 16 de junho, a Associação Brasileira de Imprensa vai promover um debate, a partir das 14 horas, sobre a questão do tratamento dado pelos meios de comunicação ao crescente aumento da violência no Rio de Janeiro. Também serão analisadas as formas empregadas pelo poder público no combate à criminalidade.

Entre os convidados para as palestras de abertura e encerramento estão o presidente da OAB-RJ, Wadih Damous, e o presidente do Tribunal de Justiça, Desembargador Luiz Zveiter, ambos colocando a visão do Poder Judiciário sobre a questão. O debate, que se estenderá por toda a tarde, terá ainda duas mesas-redondas com representantes de várias entidades e editores de jornais.

A primeira mesa discutirá a relação entre a mídia e a violência a partir da visão das comunidades, tais como associações de moradores e grupos ligados ao combate à violência. Para esta mesa estão convidados Márcia de Oliveira Jacinto, da Rede Contra a Violência, William da Rocinha e Sebastião Santos, coordenador do Fórum Libertário de Rádios e TVs Comunitárias. A segunda mesa vai abordar a questão sob o ponto de vista do cientista que estuda permanentemente o assunto desde as causas até as conseqüências do constante aumento da violência. Estão convidadas as pesquisadoras Sylvia Moretzsohn da Universidade Federal Fluminense, e Sílvia Ramos, do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da UCAM, além do diretor de redação de O Dia, Alexandre Freeland.


31/05/2009

Fellini revisitado

Fellini

A imaginação do cineasta superou seu compromisso com a realidade


Na obra de Federico Fellini existem dois palhaços que são pares opostos: o palhaço branco é sério, autoritário, dominador. O Augusto é sobretudo anárquico. Nas palavras do cineasta, que começou sua vida como jornalista, "Hitler era um palhaço branco, Mussolini era o Augusto; Freud um palhaço branco, Jung um Augusto." São dicotomias: o patrão e o empregado, o conformista e o rebelde, o rico e o pobre, a razão e a loucura. O primeiro conserva a ordem, e o outro a subverte. O clown branco é a elegância, a graça, a harmonia, a inteligência, a lucidez. Eis que em seguida surge o aspecto negativo da questão. Então o Augusto, que deveria sucumbir ao encanto dessas perfeições, se rebela. Se embebeda, rola no chão e na alma, numa rebeldia perpétua. Essa é a luta entre o orgulhoso culto da razão, onde o estético é proposto de forma despótica, e o instinto, a liberdade do instinto. O filme de Fellini “I Clowns”, inédito no Brasil, termina com as duas figuras se encontrando e desaparecendo juntas. Por que comove essa situação? Porque as duas figuras encarnam um mito que está dentro de cada um de nós – a reconciliação dos opostos, a unidade do ser.

O clown branco pretenderá que o Augusto seja elegante. Mas quanto mais autoritária seja essa intenção, mais o outro se mostrará mal e desajeitado. É o apólogo de uma educação que procura pôr a vida em termos ideais e abstratos. Lao Tsé dizia: Quando produzas um pensamento (igual a clown branco), te ri dele (igual a clown Augusto).
Fellini nasceu em 1920, em Rimini, pequena cidade litorânea da Itália. Começou como jornalista em Florença, na revista de humor "Marc Aurelio". Logo depois, passou a escrever pequenos roteiros e piadas para comediantes. Seus mestres no cinema foram Rossellini, para quem trabalhou em vários projetos, inclusive "Roma, cidade aberta".
A inspiração neo-realista é evidente na primeira fase de suas obras, com muitos personagens populares, de fácil identificação e grande carga emocional. Pouco a pouco, contudo, a imaginação de Fellini foi superando seu compromisso com a realidade.
Em "Oito e meio" já estão presentes o sonho, a fantasia e o grotesco, que formariam a matéria-prima de sua carreira. Apesar de, em alguns filmes (principalmente em sua obra-prima "Amarcord" e no feroz "Ensaio de Orquestra") abordar temas políticos, Fellini não se sentia à vontade com cobranças ideológicas: "Minha natureza não é política; e o discurso político me confunde na maioria das vezes. Não o compreendo. Mas confesso isso como uma fraqueza, como uma de minhas carências."
Poucos diretores de cinema conseguiram marcar tão claramente seu estilo, a ponto de virar adjetivo. Dizer que tal filme ou tal personagem é "felliniano" significa identificá-lo com a estética ao mesmo tempo barroca e popular de seus trabalhos das décadas de 60 e 70, em que o exagero e a predileção pelo inusitado conduzem, na verdade, a uma reflexão séria - e muitas vezes cruel - sobre o cotidiano de seres humanos frágeis e anônimos. Em seus melhores filmes, como "Os boas vidas", "Julieta dos espíritos", "A doce vida", "Amarcord" e "La nave va", Fellini demonstra que o cinema pode ser absolutamente autoral sem perder sua universalidade. (Ernesto Vianna)

08/04/2009

Dia do Jornalista

Nesta terça-feira, dia 7 de abril, comemora-se em todo o País o Dia do Jornalista. Falar dos profissionais de Imprensa é colocar na mesa de discussão a importância desses trabalhadores para a sociedade. Os jornalistas, vale lembrar, não são donos da mídia. São profissionais qualificados para prestar um serviço de utilidade pública, que é o de divulgar os anseios da população, de forma criteriosa e ética. Muitas vezes, esse trabalho sofre censura, devido a interesses escusos do patronato da Comunicação Social do Brasil.
Neste momento, o País passa por uma situação ímpar no setor da Comunicação Social. Pela primeira vez na sua história, o Brasil se prepara para a realização de uma conferência nacional de Comunicação Social, cujo anúncio já foi feito pelo Presidente Lula. A Conferência servirá para a sociedade definir que tipo de Comunicação Social quer e, ao mesmo tempo, estabelecer novos parâmetros jurídicos para a produção da Comunicação no País – novos critérios para concessão de canais de rádio e TV, outras normas para a liberação de verbas públicas para o setor etc. É fundamental contemplar, nessa discussão, as reivindicações de setores populares – como, por exemplo, rádios e TVs comunitárias – que contribuem significativamente para a democratização da Comunicação na sociedade brasileira.
Os jornalistas, como especialistas da técnica da Comunicação, estão decididamente empenhados pela concretização da Conferência. A realização desse evento, para os trabalhadores do setor, poderá ser um passo fundamental para a luta histórica pela democratização da Comunicação Social no Brasil. Porém, as grandes corporações que hoje controlam a maioria dos veículos de comunicação não querem isso.
Paralelamente à caminhada rumo à Conferência, os jornalistas têm enfrentado fortes ameaças a seus direitos adquiridos. Agora mesmo, está para entrar na pauta do Supremo Tribunal Federal o julgamento de um recurso impetrado pelo Sindicato de Rádios e TVs de São Paulo questionando a exigência do diploma para o exercício da atividade jornalística.
Não se iluda: o fim da exigência do diploma provocaria uma presença bem maior do dedo patronal na edição das matérias jornalísticas, causando mais prejuízo para a sociedade. O fim do diploma para jornalistas também não é uma ameaça isolada a uma categoria profissional : faz parte de um processo de desregulamentação das relações trabalhistas, bem a gosto da política neoliberal. Daí a necessidade do engajamento geral da sociedade. Hoje, os ameaçados são os jornalistas. Se a porteira neoliberal abrir, outras categorias profissionais estarão ameaçadas.
Opositores da formação acadêmica dos jornalistas têm argumentado que a exigência do diploma é um resquício da ditadura militar. Não é. Ter um arcabouço jurídico do trabalho jornalístico sempre foi uma reivindicação do setor – antes, durante e depois de ditaduras. A regulamentação da categoria profissional também foi fruto de luta política. Por decisão de congresso nacional dos profissionais de Imprensa, um grupo de jornalistas teve a habilidade política de colocar para os ditadores de plantão a necessidade de regulamentar a profissão. A proposta dos trabalhadores passou. Dizer que a exigência do diploma é benesse da ditadura é desconhecer fatos históricos da luta geral dos trabalhadores, além de fazer coro com o patronato.
Também por pressão política, na década de 1980, os jornalistas obtiveram o reconhecimento do Ministério do Trabalho de que se constituem em categoria profissional diferenciada e, como tal, a sua jornada de trabalho, os seus direitos e prerrogativas se exercem em empresas de direito privado ou público - federais, estaduais e municipais, sejam mistas ou fundações -, assim como em entidades sindicais e outras. Era o período da proliferação das assessorias de Imprensa, sem qualquer regra jurídica para a ocupação dos novos cargos. A Portaria Ministerial de 1988, assinada pelo então ministro Almir Pazzianotto, deu um norte para a questão. E também não foi benesse de governo; foi fruto da luta política dos jornalistas.
Ainda há muito a caminhar para a consolidação jurídica do papel dos jornalistas na sociedade. Mas essa é uma luta conjunta dos trabalhadores, na defesa de um Jornalismo de qualidade, que trate informação como um bem social, em prol da própria sociedade.

Abril 2009

Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro

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